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Especial: RIP Adam Goldstein (DJ AM)

Agosto 29, 2009

O famoso DJ AM tinha 36 anos, e então, faleceu em seu apartamento na última sexta-feira, por overdose de alguma substância ainda não divulgada.
Há um ano, conseguiu sair vivo de um acidente de avião, sendo ele e Travis Barker (baterista do Blink 182) os dois únicos sobreviventes. Incrível.

Adam era simplesmente foda.
Dá pra ver por tudo contra o que ele já lutou, tudo que passou por cima; ele deu uma virada absolutamente grande na sua vida.

O final nem sempre é feliz, nós sabemos, mas o cara batalhou muito e isso é inegável, certo?
Overdose ou não, ele teve e continuará tendo todo o meu respeito.

Abaixo, o porquê dele também merecer o seu. Aí segue uma entrevista que eu peguei da revista americana Glamour (tá, dane-se o nome) e traduzi; ela é meio grande, mas muito interessante pois nela o Adam contava a respeito de sua trajetória. Vale a pena dar uma lida.


“Eu botei uma arma na minha boca e puxei o gatilho…”

Antes de Adam Goldstein, mais conhecido como DJ AM, tornar-se o mais famoso disc jockey de Hollywood (e namorar atrizes como Nicole Richie e Mandy Moore), ele era totalmente miserável: obeso e viciado em crack. Até mesmo tentou cometer suicídio. E aqui está como ele deu a volta por cima, saindo do inferno para encontrar a felicidade.

‘Eu estava provavelmente destinado a ser um viciado. Cresci na Filadélfia, com um pai que parecia me odiar: o abuso verbal, ao qual eu era submetido, era inacreditavelmente cruel. Eu iria descobrir, mais tarde, que havia uma boa razão para meu pai se sentir tão torturado – ele era, secretamente, gay e viciado em drogas. Eu me lembro dele perguntando: ‘você se importa se eu fumar um dos meus cigarrinhos miúdos?’. Mas, durante a infância, eu sempre me culpei pelo modo horrível como meu pai me tratava.

Para lidar com minha raiva e tristeza, eu comia. Por volta dos dez anos, eu era obeso. O relacionamento de meus pais continuava a se deteriorar: Se minha família saísse para jantar, meu pai bateria no garçom na frente de minha mãe. Finalmente, ela se cansou, e o chutou para fora. Meu pai acabou sendo mandado para a prisão por cometer fraude bancária; minha mãe fez as malas e se mudou comigo e minha irmã para Los Angeles. Eu tinha quatorze anos e fiquei conhecido como ‘o garoto gordo de Philly’. Passei os dois anos seguintes usando drogas todos os dias, até que fui até minha mãe, pedir para que ela me botasse na reabilitação. Eu não sabia ao certo o que era a reabilitação. Achei que seria algo como um acampamento de verão.

Ela me levou para um centro de tratamento especializado em ‘amor difícil’. Mas fora do conhecimento de minha mãe, o lugar era uma abusiva casa de horrores que viria a ser fechada. Os conselheiros nos espancavam. Cospiam em nossas caras. Nos faziam passar fome. Jamais nos deixavam falar com nossos familiares. Era 100% lavagem cerebral. Durante minha estadia, de quatro ou cinco meses, me disseram que minha mãe tinha vindo me ver. Eu estava rezando para que ela viesse e dissesse ‘Vim te levar para casa.’ Mas ela disse…”Seu pai está morrendo de AIDS. Eu espero que você consiga lidar com isso por aqui. Você me orgulha”. E ela se foi.

Foi como se uma bomba explodisse na minha cabeça. Eu explodí, atacando um dos conselheiros, e o machucando seriamente. Tive que ser segurado por vários membros da equipe. Fiquei preso lá por mais um ano e meio, e não saí até que completasse dezoito anos. Quando deixei a reabilitação, não tinha aprendido nada sobre recuperação. Fui a alguns encontros, mas em cinco meses, estava de volta ao mundo das drogas. Então, meu pai morreu. Mais tarde, minha mãe havia me expulsado de casa, e eu vivia pelos sofás de amigos e fazendo bicos esquisitos. Mas minha principal fonte de renda era roubar dinheiro e drogas de traficantes. Eu agia como se fosse o intermediário: descobriria quem conseguiu um novo carregamento de drogas, e mandaria pessoas que eu conhecesse para invadir sua casa, roubar tudo. Dividiriamos, então, os lucros.

Durante todo esse tempo, eu me odiava por estar acima do peso. Costumava ficar na frente do espelho segurando pedaços de carne nas mãos, desejando poder cortar tudo com uma faca. Toda vez que entrava numa sala, imaginava que as pessoas estivessem dizendo ‘Aí está o cara gordo’. Eu não comia na frente dos outros, porque não queria que vissem como ou o que eu comia.

Quando eu tinha 20 anos, comecei a usar cocaína. E pelos próximos quatro anos, foi tudo que fiz – com a excessão de discotecar como DJ, que é algo com o qual estive obcecado desde que vi Herbie Hancock tocar “Rockit” nos Grammy Awards. À noite, riscaria alguns discos, bebendo o suficiente para me sentir como um cara social e divertido. Mas assim que o trabalho terminasse, eu pegaria meu dinheiro e iria pro centro da cidade arranjar mais crack. Logo, já estava tocando em três festas por semana – todas gastas. Se eu faturasse $150, diria para mim mesmo ‘vou torrar $50 em drogas e ficar com o resto’. Mas no fim, acabava torrando os $50 naquela noite, $40 às seis, na manhã seguinte, e voltaria para o centro às onze para gastar o resto da grana.

Certa noite, consegui parar frente ao espelho e dar uma olhada em mim. Fazia no mínimo um ano desde que eu realmente havia me olhado – comecei a evitar pois me sentia nojento – mas ali então eu ,literalmente, não consegui desviar o olhar. Eu estava pingando de suor pois sempre suava demais quando fumava crack. Minha cara tinha um tom verde. Eu estava enorme, porque quando não estava drogado, devorava a comida. Pensei a respeito de todos os meus amigos que haviam ido para a faculdade e agora tinham bons empregos. Pensei em como jamais tive chance de confrontar meu pai. Pensei em como prometi a mim mesmo toda noite que largaria o vício, mas nunca o fiz. Aos 24, senti que minha vida estava acabada. Então fui até a sala, abri um armário em cima da TV e peguei minha arma, uma 22 carregada. Me sentei, a ajeitei e coloquei na minha boca. Então, fechei os olhos com força e disse ‘FODA-SE’. Puxei o gatilho.

A arma não funcionou. Eu pensei: ’tá de brincadeira? Eu sou um fracasso tão podre assim que nem consigo me matar?!’ Larguei a arma e entrei em colapso. Durante uma hora, sentei e resmunguei, dizendo ‘Deus, me ajude, que eu devo fazer?’. Um amigo que conheci nos poucos encontros de que participei resolveu aparecer na minha casa para ver como eu andava: Ele deu uma boa olhada no meu apartamento nojento, virou para mim e disse, ‘Você vem comigo’. Esse foi o ponto de mudança da minha vida.


Comecei a frequentar encontros novamente e me distanciei de amigos que ainda usavam drogas. A coisa mais difícil era me acostumar a tocar sóbrio. Naquela época, estava arranjando bicos em todos os mais badalados clubes e começando a construir uma carreira. Mas na primeira noite que toquei sem um drink na mão, eu mal conseguia pensar em que música tocar. Na manhã seguinte, fui a uma reunião e disse ‘Não consigo tocar sóbrio. Fui um bosta. É assim que pago meu aluguel e ,se não puder tocar, não sei o que vou fazer.’ Logo depois, um cara veio até mim e disse, ‘Eu te prometo, se você permanecer sóbrio, sua carreira irá além do que você jamais imaginou possível’. De alguma forma, eu sabia que esse desconhecido estava me falando a verdade. E a partir daquilo, comecei a melhorar. Passei a fazer atividades físicas: acordava logo cedo e corria até não poder mais. Rapidamente perdi 30kg e fui dos 135kg para os 105kg. Passava o resto do tempo tocando. Quanto mais praticava, melhor ficava, e quanto melhor ficava, mais trabalho arranjava. Eu toquei em festas de aniversário de gente como Tom Cruise, Leonardo DiCaprio… E o trabalho não parava de chegar.

Pode até parecer como se eu tivesse estalado os dedos e decidido me recuperar. Isso não poderia ser o mais distante da verdade. Após 90 dias de sobriedade, houve uma recaída e tive que começar tudo de novo. Me enfiar em reuniões era difícil e doloroso, mas era isso ou morrer. Mas, então, aconteceu algo que eu jamais poderia ter imaginado: me apaixonei pela garota mais bela que já havia visto em toda a minha vida. Quando a conheci, congelei. Por volta de um ano depois, corremos um atrás do outro, novamente, e logo, ela era minha namorada. Por toda minha vida, eu sempre fui aquele cara gordo que nenhuma garota iria querer beijar ou tocar. Ter ela em meus braços era meu jeito de dizer aos meus amigos ‘Finalmente, eu me encaixo, sou um de vocês, sou suficiente’. Mas a maior mentira da minha vida foi achar ainda que eu não era o suficiente, quando exatamente ao contrário, eu era. Então, o que fiz quando essa garota me deixou? Voltei a comer. E comer, comer e comer.

E assim que os anos foram passando, cresci mais forte quanto à recuperação, mas meus problemas com alimentação fugiam do controle. Quando tinha 30 anos, pesava 162kg e odiava meu corpo mais do que qualquer coisa. Ouvia a palavra ‘obeso’ surgir na minha mente constantemente. Era tão doloroso… Particularmente porque já havia estado ali antes. Fui ao médico e tentei algumas dietas e medicamentos supervisionados com milkshakes e pacotes de proteína, mas eu simplesmente não estava perdendo peso. Após dar uma olhada em todas as possibilidades, decidi fazer uma cirurgia redutora de estômago. Em menos de um ano, perdi 50kg. O peso desapareceu. Mas não foi de forma alguma a melhor saída. Agora eu precisava aprender a gostar de mim mesmo.

Nas minhas reuniões de recuperação, me diziam que a solução para a baixa auto-estima era fazer coisas estimáveis. Seja dar uma carona ou ligar para um amigo e perguntar “E aí, como você está hoje?”; ou algo mais sério, como dar comida a pessoas num abrigo. Prometi que faria um ato assim por dia. E, então, não era permitido que contasse a ninguém sobre isso. Pouco a pouco, ganhei confiança em mim mesmo. Eu não precisava mais de uma mulher como troféu ou drogas pra me sentir bem comigo mesmo.

Eu tenho 34 anos agora, e faz nove anos e meio desde que parei de beber e usar drogas. Mas todo dia tenho que lembrar a mim mesmo de que não importa quanto tempo tenha se passado, eu ainda sou um viciado. A qualquer momento, estou cinco segundos longe de chegar até alguém, arrancar a garrafa de sua mão e virá-la. E se eu fizer isso, em uma semana, juro, estarei fumando crack. Então mesmo que tenha essa vida louca fabulosa, tenho que me manter preso ao chão, agarrando a grama com as duas mãos.

Eu não sou perfeito; viajo toda hora. Se vou para um restaurante e tenho que esperar 45 minutos para sentar, meu ego acaba querendo dizer a pior sentença de todas: ‘Você sabe quem eu sou?’. O que na verdade, é claro,  significa ‘Você sabe quem eu PENSO que sou?’ É aí que eu tenho que lembrar o que realmente sou: um gordo drogado que tem sorte de estar vivo.

E, acredite ou não, nesses momentos, eu me sinto o cara mais sortudo da face da Terra.

Via: Glam Mag

Descanse em paz, Adam.

Gone too soon.

O que está acontecendo com 2009 hein?

– carol 304

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One comment

  1. Mais uma perda… foda xP



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